quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Florbela Espanca bateu em minha porta, e eu? eu abri...



Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca










Eu ...


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho,e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...


Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
Florbela Espanca

4 comentários:

Jowzinha disse...

Oi, May!!!
Interessante como Florbela Espanca a gente, n???

=**, Jowzinha

Alex disse...

May, seu blog transpira papel, tinta, letras, poemas, lucidez e loucura. É um convite agradável por entre os lábios dos deuses do gozo, da expressão e do pensamento.

Abraços!

Pedra do Sertão disse...

Que ela fique por bastante tempo a lhe inspirar!!!

Marcelo disse...

Florbela,sou fã sempre me identifiquei com seus textos,inda mais com 'EU'...um amplexo